Por Paula Silveira

 

Autor: Bruno Piatto (educador, naturista 

e curioso leitor sobre diferentes culturas)

 

@fbrn_oficial

 

POR QUE AUSTRÁLIA?

Em dado momento do ano de 2017, tive a sorte de receber um bom dinheiro de forma muito inesperada. Feliz com essa surpresa agradável, pensei em todas as coisas que eu sempre quis fazer e nunca tive a oportunidade, inclusive meu sonhado intercâmbio, com curso no exterior e especialização profissional.

Foi assim que eu comecei a buscar agências de intercâmbio, pesquisando sobre lugares para morar e universidades que possibilitassem essa conquista acadêmica a mim. Acabei fechando negócio com uma agência que me encantou, e me convenceu de que a Austrália era o meu lugar: diversa, com climas variados, porém semelhantes aos brasileiros, uma população acolhedora e uma riqueza cultural imensa.

Eu, que já era naturista há cerca de três anos quando parti, em 2018, não imaginava – nem passava pela minha cabeça! – que a Austrália era, além de tudo isso, um ótimo lugar para que eu continuasse praticando naturismo. Lá, utilizei um aplicativo chamado MeetUp que, na época, permitia que nós conhecêssemos pessoas de acordo com hobbies que possuíamos em comum: pintura, bordado, karaokê, ensino de línguas estrangeiras, esportes e… claro, naturismo.

Descobri que havia na Austrália – mais especificamente na cidade de Melbourne, onde morei por seis meses – alguns grupos que se reuniam periodicamente em centros esportivos. Acontecia da seguinte forma: o presidente do grupo naturista conhecia o administrador desses centros, entrava em contato, e alugava o espaço num domingo para reunir naturistas, que ficavam à beira da piscina, conversando, fazendo um piquenique, bebendo e se divertindo. Obviamente, sempre sem usar roupas.

Além disso, também conheci um restaurante naturista, que funcionava em alguns dias específicos do mês. Nos demais, era um restaurante como outro qualquer. Nos dias exclusivos de naturismo, os clientes chegavam, deixavam suas roupas na chapelaria, e tinham um jantar naturista agradável, com direito a música ao vivo e entretenimento. Até quem trabalhava no local estava vestido (ou melhor, despido) a caráter.

Também passei alguns dias durante minhas férias de estudo em Sydney, onde conheci a Obelisk Beach, uma praia super calma e pequena, mas muito acessível, até de transporte público. Consegui facilmente ir à praia pegando um ônibus de onde eu estava hospedado, e sem fazer longas caminhadas ou pegar trilhar difíceis. E passei um dia muito agradável, com poucas pessoas ao redor, todos simplesmente curtindo o sol e o mar.

Você pode estar se perguntando por que é que eu estou contando toda essa experiência aqui neste artigo. Meu ponto aqui é: quando chegamos a um ponto em que há respeito e compreensão entre as pessoas, a importância de termos um código de ética rígido, bem aplicado, com consequências e penas a quem descumpri-lo, passa a ser incrivelmente menor. Acredite: não era necessário lembrar ninguém que era proibido tirar fotos de outros naturistas à beira da piscina, nem de que o uso de canga ou toalha era obrigatório ao se sentar nas cadeiras do restaurante, muito menos de que era proibido qualquer tipo de comportamento sexualmente ostensivo na praia. Nestes três tipos de experiência que tive, o bom senso sempre imperou, porque a única coisa indispensável no código de ética naturista é justamente o cerne de nossa filosofia: respeito.

 

Conheça mais sobre a Federação Brasileira de Naturismo pelo site www.fbrn.org.br.

 

*Paula Silveira é presidente da FBrN – Federação Brasileira de Naturismo, desde 2021 e presidente da associação SPNAT – Naturistas da Grande São Paulo desde 2020. É naturista desde 1997 e é representa o Brasil na CLANAT – Comissão Latino-Americana de Naturismo, foi Conselheira Maior da Região Sudeste de 2017 a 2020. Representou o Brasil no Congresso Mundial de Naturismo do México em 2024, no ELAN – Encontro Latino-Americano de Naturismo no Peru em 2026, Colômbia em 2022 e no Equador em 2020.